29 janeiro 2013

Relato de Parto Monique



 Relato de Parto da Monique e do Arthur

A Monique é minha prima, e desde o dia em que fiquei grávida dizia a ela que a arrastaria para a Casa de Parto.

No início parecia confiante no médico do convênio, em nossas conversas, dava algumas dicas sobre onde procurar informações, e lá foi ela.

Depois de algum tempo, percebi que ela ficou mais interessada, e me ofereci para doular no parto dela. Conforme ia aprendendo mais sobre parto, parecia que se identificava com o que desejava, um parto respeitoso, para ela e o Arthur.

No dia em que o Arthur nasceu, recebi uma mensagem no facebook por volta de 11h, dizendo que estava com algumas dores, e que era para eu me preparar. Ela já tinha ido à Casa de Parto pela manhã para uma consulta, e depois do toque, foi embora sentindo dor.

Por volta de 16h, me ligou novamente, dizendo que as dores aumentaram, e me pedindo para ir até a casa dela. Saí imediatamente, e corri para lá. Quando fomos contar as contrações, estavam a cada 1 mim, e ficamos um pouco confusos, saímos para a Casa de Parto na sequência.

Era uma quinta-feira, dia do rodizio do meu carro, e eu os levaria até a Casa de Parto, portanto, fomos correndo, e caso chegasse alguma multa, iria recorrer. Corremos tanto, pois as contrações estavam muito perto umas das outras, fomos pelos corredores de ônibus, ultrapassamos o farol vermelho, e a Monique quieta no banco de trás com o Vitor (Marido), eu olhava pelo retrovisor a cada contração, uma tão perto da outra, o caminho cheio de buracos, e a Monique em um silêncio total, apenas apervada a mão do marido na contração.



Chegamos na CPS por volta de 15h50, e ela entrou para ser examinada. A Fotógrafa Bia estava nos esperando quando chegamos lá e eu fiquei conversando com ela durante o exame que parecia não acabar nunca! 

Quando saíram do exame, a enfermeira me olhou e disse: "Ainda não é agora, podem voltar para casa". Fiquei tão confusa, os sinais do trabalho de parto eram claros, e ela estava com muitas contrações. Mas depois disse:  "Brincadeira, já está com 7 cm, será internada agora". Nesse momento fiquei tão aliviada, pois  sabia que ela estava em trabalho de parto, e não queria voltar para casa e ter que voltar depois.

Quando entramos no quarto ela tentou comer, mas não conseguiu comer muito, tomou o suco e sentou na cadeira. Sempre calada, não quis massagens, quis ficar sentada.

a enfermeira trouxe o rádio e colocou uma musiquinha relaxante, mas a Monique me pediu que colocasse na KISS FM, acho que os sons da natureza incomodavam um pouco. Então, depois de um tempo sentada, sugerimos que andasse um pouco para ajudar nas contrações. Ela sentiu vontade de ficar de cocoras, então fomos para a banqueta.

Nesse momento lembro que estávamos todos quietos quando começou na rádio a oração do Rock. Foi hilário, pois todos paramos para escutar a oração:


"Elvis Presley que estais no céu,
Muito escutado seja Bill Haley. Venha a nós o Chuck Berry, Seja feito barulho à vontade, 
Assim como Hendrix, Sex Pistols e Rollings Stones.
Rock and roll que a cada dia nos melhora,
Escutai sempre Clapton e Neil Young, Assim como Pink Floyd e David Bowie.
E não deixeis cair o volume do som 102,1 de estação.
Mas livrai-nos do Pagode e do Axé. Amém!


Depois da oração todos começaram a rir, e lembro de ter dito, "Pronto, agora o Arthur chega"..

Por volta de 19h30 já estava com dilatação total, e resolvemos tentar na cama, em outra posição. Foram alguns momentos de expulsivo, mas foram momentos marcantes. Houve uma pequena discussão entre as enfermeiras obstetras, era troca de plantão, e as duas estavam no quarto, mas uma dizia para a outra "Não, faz você", "o plantão é seu", "mas você já estava aqui primeiro", etc. Na hora não sabia o que fazer, apenas tentei distrair a Monique e encorajá-la.

Finalmente, às 20:18, chegou Arthur, através de um parto totalmente natural, no dia 19/07/2012 na Casa do Parto de Sapopemba, medindo 52 cm e pesando 3.695kg.

Aqui tem um vídeo de quando a Monique pegou o Arthur pela primeira vez
https://www.youtube.com/watch?v=UQve1cHViF8&feature=player_embedded

Mais fotos do parto da Monique aqui: Bia Fotografia


O que é Doula?



O que significa "doula"

A palavra "doula" vem do grego "mulher que serve". Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.
Antigamente a parturiente era acompanhada durante todo o parto por mulheres mais experientes, suas mães, as irmãs mais velhas, vizinhas, geralmente mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo. Depois do parto, durante as primeiras semanas de vida do bebê, estavam sempre na casa da mulher parida, cuidando dos afazeres domésticos, cozinhando, ajudando a cuidar das outras crianças.
Conforme o parto foi passando para a esfera médica e nossas famílias foram ficando cada vez menores, fomos perdendo o contato com as mulheres mais experientes. Dentro de hospitais e maternidades, a assistência passou para as mãos de uma equipe especializada: o médico obstetra, a enfermeira obstétrica, a auxiliar de enfermagem, o pediatra. Cada um com sua função bastante definida no cenário do parto.
O médico está ocupado com os aspectos técnicos do parto. As enfermeiras obstetras passam de leito em leito, se ocupando hora de uma, hora de outra mulher. As auxiliares de enfermeira cuidam para que nada falte ao médico e à enfermeira obstetra. O pediatra cuida do bebê. Apesar de toda a especialização, ficou uma lacuna: quem cuida especificamente do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula ou acompanhante do parto.
O ambiente impessoal dos hospitais, a presença de grande número de pessoas desconhecidas em um momento tão íntimo da mulher, tende a fazer aumentar o medo, a dor e a ansiedade. Essas horas são de imensa importância emocional e afetiva, e a doula se encarregará de suprir essa demanda por emoção e afeto, que não cabe a nenhum outro profissional dentro do ambiente hospitalar.
O que a doula faz?
Antes do parto a ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
Durante o parto a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..
Após o parto ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.
A doula e o pai ou acompanhante
A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai muitas vezes não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto.
Eventualmente o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.
O que a doula não faz?
A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.
Vantagens
As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:
  • diminuir em 50% as taxas de cesárea
  • diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
  • diminuir em 60% os pedidos de anestesia
  • diminuir em 40% o uso da oxitocina
  • diminuir em 40% o uso de forceps.
Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.
Ana Cris Duarte
Doulas.com.br